quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Curso: Historia do Pensamento Geográfico

Promovido pela AGB seção Niterói
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Abertura: 23 de outubro, às 14h, na Faculdade de Formação de Professores - UERJ/SG.
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2º dia: 30 de outubro - bases teórico-metodológicas para estudar o pensamento geográfico;
3º dia: 13 de novembro - virada do século XIX-XX até a 2ª G.M;
4º dia: 27 de novembro - o pensamento geográfico brasileiro e as intituições pós 2ª G.M.: o lugar da AGB;
5º dia: 04 de dezembro - crítica e crise na renovação após a década de 1970
Promovido pela AGB seção Niterói
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CONTATO: Acessar o perfil do orkut de Fabricia Corrêa: http://www.orkut.com.br/Profile?uid=484032959177800264&mt=5
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terça-feira, 29 de setembro de 2009

SUGESTÃO DE LEITURA: "Uma Gota de Sange: História do Pensamento Racial" de Demétrio Magnoli, Editora Contexto.

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OPINIÕES E COMENTÁRIOS
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Seguem abaixo comentários de analistas, professores, advogados e antropólogos sobre o livro "Uma gota de sangue: história do pensamento racial" de Demétrio Magnoli. Fonte: Band News FM

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José Carlos Miranda critica a política de cotas
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Para o coordenador nacional do Movimento Negro Socialista, dar direitos diferentes para cidadãos iguais vai contra a construção de uma sociedade igualitária e resulta na repetição de erros do passado que produziram massacres de populações. José Carlos Miranda rejeita a política de cotas para negros e a criação de um Estatuto da Igualdade Racial e explica que, a pretexto de corrigir injustiças do passado, bebe-se nos mesmos argumentos racistas para pedir que negros tenham tratamento diferenciado.
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Leão Alves é a favor de abolir tratamentos diferentes
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O secretário-geral do Movimento Pardo-Mestiço Brasileiro diz que privilegiar um grupo de pessoas em detrimento de outro por meio de leis raciais é uma política antidemocrática. Leão Alves afirma que é preciso eliminar tratamentos diferenciados, ainda mais quando se fala de uma população tão miscigenada quanto a brasileira. Por isso, ele ressalta a importância do livro do colunista e sociólogo Demétrio Magnoli.
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Cláudio de Moura Castro diz que a política racial brasileira é igual à norte-americana
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O professor, pesquisador e mestre em Educação, Cláudio de Moura Castro afirma que as desigualdades sociais existentes no Brasil não podem ser confundidas com distinções de cor de pele e, portanto, criar direitos diferentes para brancos e negros é um erro, baseado em um conceito artificial. Para ele, compreender a origem do conceito de raça é fundamental para entender por que a política de cotas para negros nas universidades, por exemplo, é equivocada. O mestre em Educação Cláudio de Moura Castro cita Gilberto Freire, e lembra que o pensamento racial no Brasil é o da miscigenação. Mas, segundo ele, o país importa uma política racial norte-americana, com riscos à uma sociedade que se pretende tolerante.
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Romano da Silva afirma que a divisão racial é perigosa
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Também entrevistado sobre o assunto, o professor titular do Departamento de Filosofia da Unicamp, Roberto Romano da Silva considera equivocado e perigoso o caminho da divisão racial. Ele afirma que as políticas que propõem direitos diferentes para brancos e negros acirra preconceitos.
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Carlos Pio discorda da política racial brasileira
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O professor de Economia Política Internacional da Universidade de Brasília Carlos Pio diz que a política racial que o Brasil vem adotando segrega e não faz justiça, ao contrário do que se prega. Para ele, a institucionalização da raça elimina a "meritocracia", ou seja, a pessoa negra passa a ser merecedora de uma vaga ou cargo pela cor, e não pelo mérito. Por isso, o professor Carlos Pio diz que o livro do sociólogo e colunista da BandNews FM Demétrio Magnoli chega em um momento fundamental.
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Helda Castro de Sá afirma que o livro vem no momento certo
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Consagrar em lei o equívoco da divisão da sociedade em raças é inaceitável diante do preceito constitucional da igualdade entre cidadãos. A análise foi feita pela coordenadora da Associação dos Caboclos e Ribeirinhos, Helda Castro de Sá, ao criticar a aprovação do Estatuto Racial na Câmara e ao comentar o livro do colunista da BandNews FM Demétrio Magnoli. Para Helda Castro de Sá, a publicação vem num momento importante, já que o Estatuto da Igualdade Racial está para ser aprovado também no Senado. O texto não fixa um porcentual de vagas para negros nas universidades, mas estipula um cota para candidatos negros nas eleições e cria incentivos fiscais para empresas com 20% de trabalhadores negros. Helda Castro de Sá argumenta que o critério da raça carece de fundamento científico e cria privilégios para um grupo de pessoas, na tentativa de corrigir desigualdades que são sociais, e não raciais.
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Alba Zaluar diz que a política de cotas não promove justiça social
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O Senado vai avaliar nos próximos dias se estabelece ou não uma cota para negros nas universidades brasileiras, e se inclui esse porcentual no Estatuto da Igualdade Racial, aprovado na semana passada pela Câmara. Para a antropóloga a professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro Alba Zaluar, os senadores têm nas mãos a chance de corrigir um erro, que não tem promovido a justiça social.
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Manolo Florentino afirma que o Estatuto da Igualdade parte de pressupostos errados
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O Estatuto da Igualdade Racial vai alimentar o ódio entre brancos e negros, caso seja aprovado em definitivo no Senado. A opinião é do historiador e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro Manolo Florentino. O texto do Estatuto, que já passou pela Câmara, prevê, por exemplo, uma espécie de incentivo fiscal para empresas com 20% de trabalhadores negros. Também estabelece cotas para candidatos negros nas eleições. Para o professor Manolo Florentino, o Estatuto cria a discriminação invertida, quebra o princípio constitucional da igualdade de direitos e parte de pressupostos equivocados. O historiador diz que aprofundar as discussões sobre o tema é fundamental antes que o Estatuto vire mesmo lei.
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Luiz Werneck Vianna diz que a questão racial merece mesmo discutida na sociedade
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O Estatuto da Igualdade Racial é um risco à uma sociedade que se pretende tolerante e que sempre viveu sob um mesmo estatuto legal, sob uma mesma constituição. A afirmação é do professor do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro, Luiz Werneck Vianna. Ele diz que é um erro tentar corrigir desigualdades que são sociais, dando a elas tratamentos raciais. O professor afirma que o tema merece mesmo ser amplamente discutido na sociedade.
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José Augusto Drummond afirma que o Estatuto pode ser considerado inconstitucional
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O Estatuto da Igualdade Racial, já aprovado na Câmara e em tramitação no Senado, pode acirrar o preconceito no Brasil. A análise é do cientista político e professor da Universidade de Brasília José Augusto Leitão Drummond. Ele explica que a sociedade brasileira é miscigenada e por isso será difícil definir quem pertence a determinada raça. Para o cientista político e professor, o Estatuto pode ser considerado inconstitucional.
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Isabel Lustosa diz que a desigualdade social não tem ligação com a cor da pele
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A institucionalização da raça no Brasil pode inaugurar o ódio racial na população como visto em países como Estados Unidos e África do Sul. A afirmação é da pesquisadora da Fundação Casa Rui Barbosa, Isabel Lustosa. Ela afirma que a desigualdade social no país não tem ligação com a cor da pele. Segundo a pesquisadora, a população brasileira é miscigenada e isto é positivo para o país.
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Ferreira Goulart diz que querem trazer para o Brasil algo que já não deu certo em outros países
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O Estatuto da Igualdade Racial vai gerar conflitos no Brasil que não existiram ao longo de toda a nossa história. A análise é do escritor Ferreira Goulart sobre o texto que prevê incentivos fiscais para empresas com 20% de trabalhadores negros e fixa cotas para candidatos negros nas eleições. Para o escritor Ferreira Goulart, estão querendo trazer para o Brasil algo que já não deu certo em outros países. Sobre as cotas raciais nas universidades, Ferreira Goulart afirma que o Brasil deveria se preocupar em dar ensino básico de qualidade para todos.
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Adelaide Jóia qualifica as ações afirmativas raciais são injustas
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Em vez de criar o Estatuto da Igualdade Racial, o Brasil deveria concentrar esforços para acabar com as desigualdades sociais no país, começando com um ensino básico de qualidade para todos. A análise é da socióloga, mestre em Educação Infantil pela PUC de São Paulo, Adelaide Jóia. Para ela, as ações afirmativas raciais são injustas. A socióloga Adelaide Jóia acredita que o Estatuto da Igualdade Racial vai acirrar o preconceito no Brasil.
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LEITOR, QUAL É A SUA OPINIÃO?
Deixe-nos um comentário.
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A FARRA A GRILAGEM DE TERRAS PÚBLICAS NA AMAZÔNIA

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Carlos Alberto Franco da Silva
Professor de Geografia UFF
carlosfds@terra.com.br
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Flávio Almeida Reis
Graduando de Geografia UFF
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Texto publicado no Jornal Luta de Classes nº24 (de 25/08/09 a 24/09/09). E também no site da Esquerda Marxista (17/09/09). Com este artigo (3º da série) damos continuidade ao conjunto de contribuições mensais para o debate sobre a expansão da fronteira capitalista na Amazônia brasileira.
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Como o Governo Lula legalizou a grilagem e desmatamento de terras na Amazônia e o que o governo eleito pelos trabalhadores deveria fazer para acabar com a farra da bancada ruralista.
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“Grilagem” é o ato de falsificar documentos de propriedade de terra. Esse termo tem origem quando os papéis eram colocados numa caixa com grilos de modo que a ação dos insetos imprimisse neles uma aparência antiga. O grileiro é um invasor que forja um documento legítimo através de falcatruas como adulteração de títulos e fraudes na dimensão da propriedade.
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A grilagem gera a pilhagem dos recursos naturais e sua motivação varia em função dos interesses do mercado capitalista. Nas décadas de 60 e 70, ela servia à mineração de ouro, bauxita e estanho. A partir de 80 ela foi praticada principalmente por madeireiras, pecuaristas e especuladores imobiliários.
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O passo-a-passo da grilagem na Amazônia
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1. O grileiro identifica a terra a ser grilada e obtém seu controle. Abaixo, os métodos mais comuns:
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a) Concessões de seringais
Durante os anos 40 e 50, expediu-se concessões de 1 ano para exploração de seringais. Mas ainda hoje estes documentos são usados para requerimento de terra. Grandes áreas na Terra do Meio (PA) foram assim privatizadas.
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b) Ocupação de área desabitada
O grileiro cerca uma área na floresta guardando-a com homens armados.
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c) Concessões de “sesmarias” (!)
Entre 1531 e 1822, concessões de terras não-cultivadas, chamadas de “cartas de sesmarias”, foram designadas para colonos. Absurdamente, elas ainda são usadas para registro de terras.
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d) Ocupação, aquisição e falso arrendamento de terra já ocupada
Onde há famílias ao longo de um rio ou estrada, o grileiro compra algumas posses, delimita a área e reivindica a propriedade de toda a comunidade. Os que não se subordinam são violentamente expulsos. É a prática mais comum contra colonos tradicionais, ribeirinhos, índios e outros que têm o direito legítimo à terra.

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2. O grileiro declara a ocupação da área e requer a propriedade em cartório. Este delimita o perímetro a muitos quilômetros adentro da floresta. E geralmente não se cruzam registros de terras com outros cartórios.
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3. Ele submete o registro ao INCRA (ou órgão fundiário estadual) e à Receita. O INCRA emite uma escritura definitiva de posse, venda ou doação. Se a área for superior a 2.500 hectares (ha), sua aquisição deveria ser aprovada pelo Congresso. Mas ele dribla essa norma registrando a terra com múltiplas posses menores em nome de “fantasmas”, sob argumento de arrendamento da terra. Com o título em mãos ele parte para a exploração da área. Quando quer madeira, precisa de autorização do IBAMA. Assim a grilagem conta com a natureza corrupta do Estado burguês em cartórios e órgãos fundiários (INCRA, IBAMA, etc) para apropriação ilegal de terras públicas.
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Lula legalizou a grilagem
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Segundo o INCRA, sobre as posses já existentes, as grandes propriedades representam 20% dos posseiros e ocupam 88,5% da área. E Lula acabou de facilitar essa concentração de terras, cedendo às pressões da bancada ruralista ao sancionar a Lei 11.952/09 que a legaliza a farra da grilagem de terras públicas na Amazônia (ver artigo sobre isso aqui). Ele normatizou a venda, sem licitação, de propriedades de até 1,5 mil ha (mil e quinhentos campos de futebol), quando já havia a legitimação da posse da terra ocupada com até 50 ha como um direito previsto na Constituição de 88 (Art. 191). Assim, Lula realiza a continuidade da contra-reforma-agrária dos governos burgueses. Trata-se de uma afronta ao patrimônio público e um insulto às bandeiras históricas do PT, CUT e MST.
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Grilagem = Privatização = Capitalismo
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A grilagem é uma forma de privatizar a terra e é uma das raízes do desordenado ordenamento fundiário na Amazônia. Os cadastros do INCRA, IBAMA, FUNAI e governos não casam uns com os outros, gerando infinitos conflitos e sobreposição de propriedades. Um caos fundiário típico de um país semi-colonial.
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COMO COMBATER A GRILAGEM
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  • Mais funcionários e mais verbas para INCRA e IBAMA;
  • Revogação das Leis 11.284/06 (privatização das Florestas Nacionais), 11.356/07 (divisão do IBAMA) e 11.952/09 (legalização da grilagem e desmatamento);
  • Titulação e georreferenciamento das propriedades existentes;
  • Expropriação das terras griladas e irregulares;
  • Reforma agrária e regularização fundiária sob controle dos trabalhadores;
  • Fim da propriedade privada da terra;
  • Criação de um único cadastro de controle de terras no Brasil, gerando um sistema compatível de informações e possibilitando o encontro e o cruzamento de dados entre todos os órgãos. Instrumento fundamental para desfazer o caos fundiário e realizar a planificação da economia.
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(Esquerda Marxista)
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terça-feira, 8 de setembro de 2009

GOVERNO LULA: DA PROMESSA DE REFORMA AGRÁRIA À GRILAGEM E AGRONEGÓCIO

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Carlos Alberto Franco da Silva
Professor de Geografia UFF
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Flávio Almeida Reis
Graduando de Geografia UFF
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Texto publicado no Jornal Luta de Classes nº23 (de 16/07/09 a 15/08/09). E também no site da Esquerda Marxista (31/07/09). Com este artigo (2º da série) damos continuidade ao conjunto de contribuições mensais para o debate sobre a expansão da fronteira capitalista na Amazônia brasileira.

Na campanha de 2002 Lula disse que se fizesse só uma coisa durante seu governo essa seria a Reforma Agrária. Isso está cada dia mais longe!
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O que diz a Lei 11.952/09 sancionada por Lula

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A Lei 11.952/09 resultou da conversão da Medida Provisória 458/09 (MP 458). Ela dispõe sobre a regularização fundiária em terras da União no âmbito da Amazônia Legal. Sua aprovação implicará uma série de impactos sobre a estrutura fundiária desta região. Isso porque, de um modo geral, muitas das grilagens na Amazônia foram feitas com violência, trabalho escravo e degradação ambiental. Práticas que poderão continuar ocorrendo porque a Lei facilita a violação do direito de acesso à terra por comunidades quilombolas que tradicionalmente já ocupam uma área.
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Além disso, não exige vistoria obrigatória nas áreas de até 4 módulos fiscais; E institucionaliza a desigualdade entre o tempo mínimo para possibilidade de venda da terra, em função do tamanho da propriedade.
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Conforme a Lei, as áreas regularizadas de até 4 módulos fiscais só poderão ser vendidas após 10 anos, já para as áreas de 4 a 15 módulos, o prazo é de apenas 3 anos.
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Tem-se assim uma flagrante discriminação que beneficia os grandes proprietários e ainda favorece a especulação imobiliária na Amazônia à custa do patrimônio público. A Lei também contém dispositivos que permitem a fraude, ao possibilitar que pessoas que não ocupam de fato as áreas recebam títulos de propriedade ou concessão de direito de uso das terras.
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Outro ponto grave é o fato de não exigir dos posseiros a recuperação de áreas degradadas no passado como condição para ter a posse regularizada. Na transformação da MP 458 em Lei, não foram sancionados os itens que tratavam da punição sobre métodos de desmatamento irregular, tal como se dá com o desmatamento sem autorização competente, sem plano de manejo ou sem estudo de impacto ambiental.
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Com isso, os latifundiários foram os maiores beneficiados com esta Lei – conhecida como Lei da legalização da grilagem e do desmatamento. Através dela, dos 67 milhões de hectares de terras regularizadas na Amazônia, 72% ficarão sob o controle de apenas 7% de posseiros (!).
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Por que essa Lei passou?
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Lula sancionou essa Lei para conservar sua coalizão com os latifundiários, ato que reforça o compromisso do Estado com a acumulação de capital pelas corporações de exportação de gado, soja e outras commodities. Lula vem se rendendo cada vez mais aos interesses de políticos como Blairo Maggi, Governador de MT – o “Rei da Soja”; Sarney, oligarca do Maranhão (um dos lugares onde a grilagem mais avança) e Stephanes, ex-deputado do ARENA e atual Ministro da Agricultura.
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Um dos interesses de Lula é consolidar sua aliança com os partidos de direita para eleger Dilma em 2010. Como se fosse possível governar para os trabalhadores se juntando a quem quer abrir uma cova para cada militante campesino, conforme ocorreu em julho na chacina de 5 companheiros do MST em Pernambuco.
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O fato é que ao não vetar a MP 458, Lula se tornou co-autor, junto da Bancada Ruralista, da Lei nº 11.952/09. Dessa forma, Lula pisoteou a história do PT e do companheiro Chico Mendes, insultou as reivindicações dos movimentos sociais ao permitir privilégios injustificáveis em favor de grileiros que se apropriaram ilicitamente, no passado, de vastas extensões de terras públicas. Assim, Lula suja suas mãos com o capitalismo, sistema que, para continuar existindo, precisa destruir a natureza e derramar o sangue dos que lutam por igualdade e justiça social.
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A saída é romper com a burguesia
e construir o socialismo!
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Devemos exigir de Lula a revogação da Lei 11.952/2009 já! E exigir a ruptura das alianças com a burguesia e construção de um governo com as organizações dos trabalhadores do campo e da cidade. Só com uma política coerente com os interesses dos explorados e oprimidos poderemos abolir a propriedade privada dos meios de produção e construir um mundo com igualdade.
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Para construir o socialismo, é necessário plantar a Reforma Agrária, assim como defende o MST. Levantar essa bandeira também é o combate da Esquerda Marxista.
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A CPT (Comissão Pastoral da Terra) denuncia:
“Oficializada a grilagem da Amazônia!”
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Em nota pública, em 09 de Junho, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) denunciou a aprovação da MP 548/2009, que qualifica como “mais uma agressão ao patrimônio público, ao meio ambiente e à reforma agrária”. O documento revela de forma gritante as consequências da política de coalizão sustentada pelo governo Lula. Reproduzimos abaixo parte desse documento:
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“No último dia 4 de junho, o Senado Federal aprovou a MP 458/2009, já aprovada com alterações pela Câmara dos Deputados, e que agora vai à sanção presidencial. É a promoção da "farra da grilagem", como se tem falado com muita propriedade. Com o subterfúgio de regularização de áreas de posseiros (...) o governo federal, em 11 de fevereiro baixou a MP 458/2009 propondo a "regularização fundiária" das ocupações de terras públicas da União, na Amazônia Legal, até o limite de 1.500 hectares. Esta regularização abrange 67,4 milhões de hectares de terras públicas (...) e que pela Constituição deveriam ser destinadas a programas de reforma agrária (grifo nosso).

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Desta forma a Medida Provisória (...) regulariza posses ilegais. Beneficia, sobretudo, pessoas que deveriam ser criminalmente processadas por usurparem áreas da reforma agrária (...) O Governo, entretanto, descartou qualquer discussão com os representantes dos trabalhadores do campo e da floresta.

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Esta proposta de lei, que vai para a sanção do Presidente Lula, pavimenta o espaço para a expansão do latifúndio e do agronegócio na Amazônia, bem ao gosto dos ruralistas. (...) Ironia do destino, Lula , que em 1998 afirmou que ‘se for eleito, resolverei o problema da reforma agrária, com uma canetada’, ao invés de executar a reforma agrária prometida, acabou com uma canetada propondo a legalização de 67 milhões de hectares de terras griladas na Amazônia, um bioma que no atual momento de crise climática mundial aguda grita por preservação para garantir a sobrevivência do planeta.

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(...) Cresce a concentração de terras, enquanto que milhares de famílias continuam acampadas às margens das rodovias à espera de um assentamento que lhes dê dignidade e cidadania, pois, como bem afirmaram os bispos e pastores sinodais que subscreveram o documento ‘Os pobres possuirão a terra’: ‘A política oficial do país subordina-se aos ditames implacáveis do sistema capitalista e apóia e estimula abertamente o agronegócio’.”

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Site onde o artigo também foi publicado: http://www.marxismo.org.br/index.php?pg=artigos_detalhar&artigo=385 (Esquerda Marxista)
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Comissão Pastoral da Terra (CPT): http://www.cptnacional.org.br/
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A GEOPOLÍTICA DO CAPITALISMO NA AMAZÔNIA BRASILEIRA

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Carlos Alberto Franco da Silva
Professor de Geografia UFF
carlosfds@terra.com.br
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Flávio Almeida Reis
Graduando de Geografia UFF
reis.geografia@gmail.com
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Texto publicado no Jornal Luta de Classes nº22 (de 22/06/09 a 22/07/09). E também no site da Esquerda Marxista (06/07/09). Com este breve texto iniciamos um conjunto de contribuições mensais para o debate sobre a expansão da fronteira capitalista na Amazônia brasileira.
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A questão ambiental no Brasil envolve dois padrões de desenvolvimento que se apresentam como contraditórios na aparência, mas são parte integrante do modelo capitalista de produção.
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O primeiro possui uma vertente industrial, mineral e agrícola e consolidou-se a partir de 1960. A abertura da fronteira agrícola capitalista, a expansão da fronteira urbana, a exploração do subsolo, os projetos de colonização privados e oficiais e a instrumentalização técnica do território eram parte da geopolítica de integração econômica do país em direção às regiões consideradas “periféricas”. Logo, projetou-se na Amazônia o imaginário de região atrasada e vazia, a fim de legitimar um processo de inserção de áreas privilegiadas nos circuitos de acumulação de capital em escalas nacional e global. Para tanto, o desmatamento se afirma como ideário de inserção do Cerrado e da Floresta Equatorial no projeto desenvolvimentista do Estado.
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O “país do futuro” possuía uma natureza rica, mas hostil. O progresso demandava controle da natureza. A sagração da Natureza convocava a nação para a marcha rumo ao Norte, ao Oeste, ao Sertão. A Amazônia era o Eldorado a ser conquistado. Tais signos escamotearam as lutas de classes no Brasil. A abertura da fronteira se tornava uma válvula de escape para as questões fundiárias. A nação una e indivisível se afirmava na incorporação de terras e uso indiscriminado dos recursos do subsolo.

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Tal imaginário ainda se verifica quando se analisa os projetos capitalistas previstos para a Amazônia. Assim, os capitalistas subordinaram os trabalhadores à sua ideologia dominante. Ou seja, mascararam seus interesses particulares como interesses nacionais. Entre 1960 e 1985, a nação foi colocada a serviço do ideário desenvolvimentista do país. Toda oposição era vista como ameaça comunista aos interesses nacionais, mas na verdade ameaçava os pecuaristas, sojicultores, industriais e grupos mineradores.
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O segundo padrão, a partir de 1980, possui uma vertente tecno-ecológica. A questão ambiental passa a ser uma preocupação do capital, a defesa de saberes culturais e a manutenção da biodiversidade se tornam estratégicos para aumentar os lucros. É como se o capital se vestisse de verde, um “eco-capitalismo”, com preocupações agro-ecológicas. Desenvolvimento sustentável, crédito de carbono e aquecimento global são alguns dos pontos-chave dessa agenda. A Amazônia encerra esses dois padrões de acumulação. O agronegócio, de um lado, e a agro-ecologia, do outro, simbolizam o debate entre duas aparentes forças contraditórias.
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Se o agronegócio na Amazônia representa um padrão que demanda expansão da lavoura, desmatamento, concentração fundiária e exclusão social, a agro-ecologia revela duas faces. Uma delas envolve os movimentos sociais de resistência ao agronegócio. A outra apesar do discurso contra-hegemônico ao capital não é capaz de revolucionar a sociedade. Trata-se de um discurso radical que não combate as raízes do sistema, mas somente tenta reformá-lo; Acaba sendo uma “prática humanista” que não vai até o fim dos reais problemas. Não busca a destruição do mercado capitalista e suas leis orientadas para acumulação. Sem esse combate, não é possível inverter a situação que temos hoje: alimentos sendo produzidos, não para alimentar pessoas, e sim para dar lucro às grandes corporações.
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A luta contra a propriedade privada dos meios de produção e pela planificação da economia, isto é, o planejamento democrático da produção, circulação e consumo das mercadorias, são as bandeiras dos revolucionários, e isso não aparece no cerne da luta pela agro-ecologia.
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Outro debate é a atuação do Estado, que é contraditório, mas funcional ao capitalismo. Os embates atuais entre os ministérios da Agricultura e Planejamento x Meio Ambiente revelam as contradições da coalizão que compõem o governo Lula. Debateremos isso nos próximos artigos.
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Site onde o artigo também foi publicado: http://www.marxismo.org.br/index.php?pg=artigos_detalhar&artigo=377 (Esquerda Marxista
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Esquerda Marxista: http://www.marxismo.org.br/
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